quinta-feira, 26 de abril de 2012

Situação inusitada
            Bairro novo, ainda sem infraestrutura, mudança recente, casa inacabada; ainda faltava calçada, grades, portões e numa noite chuvosa fria e mal dormida, ouvi trovões e vi relâmpagos pelas frestas das portas e janelas a noite toda, mesmo assim precisava levantar para trabalhar, o dia prometia ser longo, frio e cansativo.
           Levantei e me arrumei rápido, já estava atrasada, me dirigi até a porta da sala para ir até a padaria comprar um pão quentinho, quando abri a porta vi um sapato caído no início do corredor da porta dos fundos, avancei um pouco mais e vi o outro pé de sapato encharcado e mal cheiroso, não havia ninguém, somente o cheiro esquisito que vinha dos fundos.
            Voltei, fiquei com um pouco de medo, mas continuei caminhando até o fim do corredor, um corpo caído, encostado na parede, levei um susto, percebi que era de um homem que vivia perambulando pelas ruas do bairro, um pobre coitado que sempre pedia comida na porta de minha casa e eu sempre o atendia com a comida  quentinha.
            Saí na rua, fui até a esquina e chamei as pessoas que começavam a se aglomerar no ponto de ônibus, pedi ajuda, quando chegaram até minha casa reconheceram o pedinte.
            Liguei para a polícia e quando chegaram constataram que estava morto, todos diziam a mesma coisa: morreu do mesmo jeito que viveu:  “triste e sozinho”.

Profª. Regina Maria Silva Laurenti

3 comentários:

  1. Regina pobre homem acabou a vida como viveu...muito legal seu texto.

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  2. Regina,gostei muito da sua crônica. Parabéns!!!

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