domingo, 29 de abril de 2012

                                                                           

Os mortos de sobrecasaca (Poema da obra Sentimento do mundo), de Carlos Drummond de Andrade

Havia a um canto da sala um álbum de fotografias intoleráveis,
alto de muitos metros e velho de infinitos minutos,
em que todos se debruçavam
na alegria de zombar dos mortos de sobrecasaca.

Um verme principiou a roer as sobrecasacas indiferentes
e roeu as páginas, as dedicatórias e mesmo a poeira dos retratos.
Só não roeu o imortal soluço de vida que rebentava
que rebentava daquelas páginas.


Neste poema Drummond enaltece o “soluço de vida” que destila um simples retrato.



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Um comentário:

  1. Maria, estamos até com coragem de postar outras coisas.
    Beijos

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